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Saturday, March 31, 2018

PT -- GUERRA NUCLEAR: 7.2 Itália: porta-aviões nuclear USA/NATO no Mediterrâneo

MANLIO DINUCCI



“Copyright Zambon Editore”


GUERRA NUCLEAR
O PRIMEIRO DIA
De Hiroshima até hoje:
Quem e como nos conduzem à catástrofe



7.2  Itália: porta-aviões nuclear USA/NATO no Mediterrâneo

De acordo com o relatório oficial do Pentágono, Base Structure Report,  as Forças Armadas USA possuem em Itália, mais de 1.500 edifícios, com uma superfície total superior a 1.000.000 (um milhão) de metros quadrados e têm alugados ou como concessão, mais 800 edifícios, com uma superfície de cerca de 900.000 (novecentos mil) metros quadrados. No total, trata-se de 2.300 (dois mil e trezentos) edifícios com uma superfície de cerca de 2.000.000 (dois milhões) de metros quadrados, espalhados por meia centena de locais. Mas, este número refere-se apenas, a uma parte da presença militar dos Estados Unidos da América em Itália.

Às bases militares USA juntam-se as da NATO, sob comando USA, e as italianas à disposição das forças USA/NATO. Estima-se que, no total, sejam mais de cem. A rede completa de bases militares está, directa ou indirectamente, às ordens do Pentágono. Está compreendida na «área de responsabilidade» do United States European Command (EUCOM), o Comando Europeu dos Estados Unidos, chefiado por um general americano que, ao mesmo tempo, ocupa o cargo de Comandante Supremo Aliado, na Europa. A «área de responsabilidade do EUCOM, um dos seis «comandos combatentes unificados» com os quais os USA cobrem o globo, compreende a totalidade da região europeia e toda a Rússia (compreendendo a região asiática), mais alguns países da Ásia Ocidental e Central: Turquia, Israel, Georgia, Arménia e Azerbaijão.

Na base aérea de Aviano (Pordenone) está estabelecida a 31st Fighter Wing, a esquadrilha USA de caça-bombardeiros F-16C/D, pronta para o ataque com cerca de 50 bombas nucleares B61 (número estimado pela FAS, Federação dos Cientistas Americanos, no período antecedente a 2020).

Na base aérea de Ghedi (Brescia) está instalado o 6º Esquadrão da Força Aérea Italiana, com caça-bombardeiros Tornado PA-200, prontos para o ataque sob comando USA, com cerca de 20 bombas nucleares B61 (número estimado pela FAS,Federação dos Cientistas Americanos, no período antecedente a 2020).

Como escreve a FAS – os pilotos italianos são treinados para o ataque nuclear, como demonstra a presença em Ghedi da 704th Munitions Support Squadron, uma das quatro unidades da U.S Air Force deslocada para as bases europeias (além da Itália, estão na Alemanha, Bélgica e Holanda) «onde as armas nucleares USA são destinadas a ser lançadas pelos aviões dos países hospedeiros». Os Munitions Support Squadrons – especifíca a U.S. Air Force (Air Force Instruction 21-300, 2 January 2014) – são «responsáveis, pela recepção, armazenamento, manutenção e controlo das armas nucleares americanas para apoio da NATO e pela sua missão de ataque». Os pilotos dos quatro países europeus e os pilotos turcos estão treinados para o uso de bombas nucleares no Steadfast Noon, o exercício anual de guerra nuclear da NATO. Em 2013, desenrolou-se em Aviano, em 2014 ocorreu em Ghedi.

Ás armas nucleares USA, instaladas em território italiano, cujo número real é segredo, juntam-se as que estão a bordo das unidades da Sexta Frota, cuja base principal está em Gaeta, em Lazio. A Sexta Frota depende do Comando das Forças Navais USA, na Europa, cujo quartel general está em Nápoles – Capodichino.

Estas forças nucleares estão integradas na rede de base, o que torna a Itália numa espécie de porta-aviões do qual são lançadas as operações militares USA/NATO para Sul e para Leste.

Em Vicenza, existe a base da 173ª Brigada Aerotransportada do Exército USA, que fornece forças de intervenção rápida ao Comando Europeu, ao Comando África e ao Comando Central (cuja «área de responsabilidade» compreende o Médio Oriente e Ásia Central, bem como o Egipto). As forças da 173ª Brigada, já utilizadas no Iraque, em 2003, são enviadas rotativamente para o Afeganistão, Ucrânia e outros países da Europa Oriental.

Na área de Pisa/Livorno está Camp Darby, a base logística do Exército USA, que fornece forças terrestres e aéreas, americanas e europeias, à Europa, Médio Oriente e África. Nos seus 125 bunkers estão armazenados, projécteis de artilharia, bombas para os aviões e mísseis, num número que pode ser estimado em mais de 1,5 milhões. Não se pode excluir que, entre as armas aéreas armazenadas em Camp Darby, tenham estado e possam estar bombas nucleares. Junto às munições para a artilharia, estão armazenados nessa base, tanques e outros veículos militares num número estimado em 2.500 unidades, juntamente com mais de 11.000 materiais militares de vários tipos. Camp Darby é o único sítio do Exército USA onde os tranques e outros veículos de combate, estão posicionados junto às munições. Na base está o equipamento completo de dois batalhões couraçados e de duas infantarias mecanizadas, que podem ser enviadas, rapidamente, para uma zona de operações através do aeroporto de Pisa (Hub aéreo militar nacional) e pelo porto de Livorno (onde podem atracar unidades de propulsão nuclear).

Aqui, fazem escala, todos os meses, navios enormes que transportam armas por conta do Pentágono, ligando os portos americanos aos portos do Mediterrâneo, do Médio Oriente e da Ásia.

Em Lago Patria (Nápoles) está a sede do Comando da Força Conjunta Aliada (JFC Naples). O seu novo quartel general, inaugurado em 2012, tem uma superfície coberta de 85 mil metros quadrados, circundado por uma vasta área cercada, predisposta para uma expansão futura. O pessoal, em aumento, é composto mais de 2.500 militares e civis. O JFC Naples da NATO está às ordens de um almirante americano, que comanda, ao mesmo tempo, as Forças Navais USA, na Europa (das quais depende a Sexta Frota dotada de armas nucleares) e as Forças Navais USA para a África. A tarefa do JFC Naples é «planificar e conduzir operações militares na área de responsabilidade do Comando Supremo Aliado, na Europa e para além dessa área».  

A cada dois anos, em rotação com o Comando de Brunssum, na Holanda, o JFC Naples assume o comando operacional da«Força de Resposta NATO» (NRF), uma força conjunta «altamente flexível e capaz» composta de 40 mil homens, que também tem a tarefa de conduzir  operações militares na «área de responsabilidade do Comandante Supremo Aliado, na Europa e para além dessa área». A ponta de lança da NRF é constituída pela sua « Task Force Conjunta da Máxima Prontidão Operacional» que, composta de 5 mil homens, pode ser enviada em 2/3 dias, para a área de intervenção «antes de se iniciar a crise».

No quartel general de Lago Patria está em funções, desde Setembro de 2017, o «Hub da Direcção Estratégica NATO para o Sul» (NSD-S Hub) com a tarefa de recolher informações e analisar uma variedade de questões relativas à destabilização, terrorismo potencial, radicalização e migração». Por outras palavras, um centro de serviços secretos (inteligência), ou seja, de espionagem, «concentrado nas regiões meridionais, compreendendo o Médio Oriente, o Norte de África e Sahel, África sub-sahariana e áreas adjacentes». Com base nas informações recolhidas (ou fabricadas) pela NSD-S Hub – directo do JFC Naples, na verdade, do Pentágano – a NATO decide as suas intervenções militares nesta vasta área. O centro dos serviços secretos da NATO aproveita-se da colaboração de universidades e think tank internacionais (como a University College London e o Overseas Development Institute), de organizações das Nações Unidas (entre as quais a UNICEF e a Organização Internacional para as Migrações) e de organizações não governamentais (entre as quais a OXFAM e Save the Children). Para além de serem usadas como o rosto «humanitário» do NSD-S Hub, essas organizações arriscam-se a ser envolvidas, através de agentes infiltrados, em acções de espionagem e outras operações secretas do centro de inteligência (serviços secretos) NATO, nos países meridionais e africanos.

Na Sicília, a Naval Air Station (NAS) Sigonella, com um pessoal de cerca de 7.000 militares e civis, constitui a maior base naval e aérea USA e NATO, da região mediterrânea. Além de fornecer apoio logístico à Sexta Frota, a mesma constitui a base de lançamento de operações militares (em grande parte secretas), principalmente, mas não unicamente, no Médio Oriente e em África. A NAS – lê-se na apresentação oficial - «recebe aviões USA e NATO de todos os tipos». Entre estes, os drones espiões RQ-4B Global Hawk, capazes de voar sem abastecimento mais de 16.000 km a uma altitude de 16.000 km a 18.000 km que, de Sigonella efectuam missões de reconhecimento sobrevoando o Médio Oriente, África, Ucrânia Oriental e outras zonas. Para ataques dirigidos (quase sempre secretos) descolam de Sigonella, os drones Predator B/MQ-9 Reaper, armados de mísseis e bombas de orientação laser e via satélite.

A Naval Air Station Sigonella está integrada na base italiana de Augusta, que fornece combustível e munições  às bases navais USA e NATO e, no porto de Catania, é capaz de albergar 9 navios de guerra. Para os exercícios de fogos reais, as forças especiais americanas dispõem do polígono de Pachino (Siracusa), concedido para uso exclusivo dos Estados Unidos. Outra instalação importante americana na Sicília é a instalação MUOS de Niscemi (Caltanissetta). O MUOS (Mobile User Objective System) é um sistema de comunicações via satélites militares de alta frequência, composto de quatro satélites e de quatro estações terrestres: duas em território americano, na Virginia e no Hawaii, uma na Austrália e uma na Sicília, cada uma dotada de três grandes antenas parabólicas de 18 metros de diâmetro. Esse sistema permite ao Pentágono, ligar a uma única rede de comando e comunicações, submarinos e navios de guerra, caça-bombardeiros e drones, veículos militares  e departamentos terrestres, enquanto estão em movimento, em qualquer parte do mundo onde se encontrem. A estação MUOS de Niscemi, é, de facto, uma instalação de primordial importância para as forças nucleares americanas, e, consequentemente, alvo prioritário na frente nuclear.Em Sardenha estão os maiores polígonos para treino das forças italianas e da NATO: em particular as de Salto di Quirra, Capo Teulada, Capo Frasca e Capo San Lorenzo. Aqui são usadas, nos exercícios de fogos reais, cerca de 80% das bombas, das ogivas de mísseis e dos projecteis empregues nas manobras militares que se desenvolvem na Itália, com consequências dramáticas para a saúde das populações.

Não são apenas estes, os perigos provenientes das bases militares USA/NATO. Demonstra-o a tragédia do Moby Prince, a embarcação que na noite de 10 de Abril de 1991, entra em colisão, na barra do porto de Livorno, com o petroleiro Agip Abruzzo, incendiando-se. O Mayday lançado repetidas vezes não encontra resposta.Morreram 140 pessoas, na embarcação em chamas, depois de terem esperado em vão, por socorros. Durante décadas, apesar de três inquéritos e dois processos, os familiares pedem em vão, a verdade. No entanto, ela surge incontestavelmente dos factos. Naquela noite, na barra de Livorno está um grande movimento de navios militares e militarizados dos Estados Unidos, que trazem de volta, à base USA de Camp Darby (limítrofe do porto) parte das armas usadas na guerra do Golfo. Estão aí também outros três navios misteriosos. O Gallant II (nome de código Theresa), navio militarizado USA, que, de repente, depois do acidente, deixa precipitadamente a barra de Livorno. O navio 21 Oktoobar II, da sociedade Shifco, cuja frota, dada pela Cooperação italiana à Somália, oficialmente para a pesca, é usada para transportar armas USA e resíduos tóxicos radioactivos na Somália e para reabastecer de armas a Croácia, em guerra contra a Jugoslávia. Por haver encontrado as provas desse trafico, a jornalista Ilaria Alpi e o seu operador, Miran Hrovatin, são assassinados em 1994, em Mogadiscio, numa emboscada da CIA com a ajuda da Gladio e dos serviços secretos italianos.

Com toda a probabilidade, na noite de 10 de Abril, está em curso na barra de Livorno o transbordo de armas USA que, em vez de tornarem a entrar em Camp Darby, são enviadas, secretamente, para a Somália, Croácia e para outras zonas, não excluindo os depósitos da Gladio, em Itália. Quando acontece a colisão, quem dirige a operação – seguramente o comando USA de Camp Darby – procura, rapidamente, apagar qualquer prova, o que explica alguns «pontos escuros»: o sinal do Moby Prince, apenas a duas milhas do porto, que está fortemente perturbado; o silêncio da Rádio Livorno, o gestor público das telecomunicações, que não chama o Moby Prince; o comandante do porto, «que não orienta os socorros e que é forçado a dar atenção a outras comunicações via rádio», que não orienta os socorros e que, a seguir, é promovido a almirante pelos seus méritos; a falta (ou melhor, o desaparecimento) de traços de radar e imagens de satélite, em particular a posição do Agip Abruzzo; a adulteração da embarcação apreendida, donde desaparecem instrumentos essenciais às indagações. Ignora-se que no centro do massacre do Moby Prince está Campo Darby, a mesma base USA inquirida pelo Juiz Casson e Mastelloni na investigação da organização golpista «Gladio». Uma das bases USA/NATO que - escreve Ferdinando Imposimato, Presidente honorário do Supremo Tribunal de Cassação – forneceram os explosivos para os massacres da Piazza Fontana, em Caci e Via d’Amelio. Bases em que «se reuniam terroristas negros, oficiais da NATO, mafiosos, homens políticos italianos e da maçonaria, na véspera dos atentados». 

A seguir:
7.3  A B 61-12, a nova bomba nuclear USA para a Itália e para a Europa

Ler este sub-capítulo e os precedentes em

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

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