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Thursday, May 31, 2018

Thierry Meyssan -- O jogo escondido da eleição presidencial na Venezuela

O jogo escondido da eleição presidencial na Venezuela

Formalmente, a amplitude da abstenção na eleição presidencial na Venezuela não permite validar o carácter democrático da vitória de Nicolás Maduro. No entanto, a participação é largamente suficiente, em plena guerra económica, para ilustrar o apoio popular às instituições nacionais. Porque, mais do que a manutenção no Poder dos Chavistas, é o futuro do país face à agressão em curso que está em jogo.
 | DAMASCO (SÍRIA)  
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A eleição presidencial na Venezuela devia ter sido a ocasião para lançar uma nova etapa na preparação da destruição da «Bacia das Caraíbas». Era pelo menos o que o SouthCom esperava [1].
Existem várias leituras para a crise que a Venezuela atravessa. Para os países ocidentais, ela é fruto da má gestão do Presidente Maduro e da sua fantasia socialista. Para o Exército, que observa os preparativos militares do Panamá, da Colômbia, do Brasil e da Guiana, ela é, pelo contrário, o resultado de uma terrível guerra —de momento unicamente económica— conduzida contra o país sob o comando dos EUA. O caso é que o Produto Interno Bruto cai 15% ao ano e a inflação atinge recordes (18.000% desde o início do ano). Se a Administração Maduro consegue distribuir víveres e evitar a fome, de momento ela falha em parar a descida aos infernos.

Sem qualquer razão válida, os 14 Estados membros do Grupo Lima contestaram antecipadamente a legitimidade do escrutínio [2]. Como na Síria, em 2014, um, dentre eles, violou deliberadamente a Convenção de Viena sobre as Relações Consulares proibindo à Embaixada da Venezuela de organizar assembleias de voto nos seus consulados. Desta vez foi o Canadá (membro do Grupo Lima), e já não a França e a Alemanha (que não fazem parte deste grupo) [3].
Tal como na Síria, a oposição pró-EUA havia apelado ao boicote do escrutínio. Pior, ela organizara uma greve de transportes, impedindo os eleitores das zonas rurais e dos subúrbios citadinos de se dirigirem às assembleias de voto.
A taxa de abstenção, portanto, teria que ser anormalmente elevada. Tanto mais que um milhão e meio de Venezuelanos deixaram o país por causa das privações em curso e não tiveram tempo de se inscrever de novo nas Embaixadas no exterior.
No entanto, dos vinte milhões de eleitores 46 % votaram. E 67% dentre eles apoiaram o candidato chavista, Nicolás Maduro.
Os dados eleitorais mostram que a taxa de participação foi tanto mais elevada quanto mais o circulo eleitoral é composto por eleitores pobres.
As mesmas avaliações mostram que apenas os eleitores com mais de 40 anos se deslocaram para votar, não os jovens que estiveram quase totalmente ausentes. Significa que os jovens exprimiram o seu desinteresse pela política ou seguiram as indicações da oposição pró-EUA, enquanto aqueles que conheceram a Venezuela anterior à Revolução Bolivariana decidiram votar.
Era preciso marcar presença, não apenas para ir às urnas, mas para apoiar Nicolás Maduro apesar da falência geral da economia! Os mais desfavorecidos, aqueles cujo salário mensal não permite sequer comprar um quilo de carne, foram proporcionalmente os mais numerosos a votar. Significa dizer que, contrariamente ao que esperavam os Estados Unidos, os Venezuelanos não consideram a Administração Maduro responsável pela catástrofe económica. Eles prosseguem o combate encetado por Hugo Chávez para libertar o seu país do imperialismo dos EUA.
Esta anomalia é a consequência do sentimento nacional que se desenvolveu durante os 18 anos da Revolução Bolivariana. Ela torna difícil qualquer intervenção militar estrangeira no país.
Além disso, o facto de um candidato sério, Henri Falcón (antigo governador do Estado de Lara), ter anunciado no início da jornada, o dia do escrutínio, que este estava truncado, que não permitiria a sua vitória, e que não valia a pena ir votar, não impediu cerca de dois milhões de eleitores de lá se deslocarem e de votar por ele. O seu comportamento não pode ser interpretado senão como uma dupla vontade de defender o seu país e de apelar ao conjunto da classe política para a reconciliação face à agressão em curso.
Sinal de desespero crescente, perto de um milhão de eleitores votaram no pastor evangélico Javier Bertucci, o qual não vê outra solução para salvar o país senão a de um arrependimento colectivo e uma intervenção divina.
Antes mesmo que o resultado do escrutínio fosse conhecido, Washington havia anunciado a promulgação de um «decreto presidencial interditando certas operações suplementares envolvendo a Venezuela» [4] e o G7 [5] tinha preparado uma declaração para «rejeitar o processo eleitoral» [6].
Face à realidade do resultado, o silêncio foi total. Que seguimento dar ao plano de destruição de Estados e de sociedades da região? Não será perigoso lançar-se o ataque à Venezuela, como se fez com a Síria, com risco de encontrar uma resistência severa? Resumindo, deve-se avançar agora ou é preciso empobrecer e dividir ainda um pouco mais os Venezuelanos antes de os atacar ?
Além disso, o facto de que, contrariamente aos hábitos diplomáticos, a Rússia ter reagido antecipadamente às declarações do Grupo Lima e sublinhado que elas mostravam a ingerência nos assuntos internos [7], leva a pensar que Moscovo não é trouxa. Em caso de intervenção da OTAN, irá a Rússia envolver-se também ?
É muito cedo para que o SouthCom possa decidir. Durante este período de avaliação, o Pentágono deverá «trabalhar» a juventude venezuelana que quase não participou nas eleições. Também poderá aumentar a sua pressão sobre outros Estados da «Bacia das Caraíbas», nomeadamente a Nicarágua.
Tradução
Alva
[1] « Plan to overthrow the Venezuelan Dictatorship – “Masterstroke” », Admiral Kurt W. Tidd, Voltaire Network, February 23, 2018. “O “Golpe de Mestre” dos Estados Unidos contra a Venezuela (Documento do Comando Sul)”, Stella Calloni, Tradução Alva, Rede Voltaire, 13 de Maio de 2018.
[2] “Declaration on Venezuela on the sidelines of the Summit of the Americas” («Declaração sobre a Venezuela à margem da Cimeira das Américas»- ndT), Voltaire Network, 14 April 2018.
[3] “O Canadá interdita aos Venezuelanos que vivem no seu solo eleger o seu Presidente”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 20 de Maio de 2018.
[4] “Executive Order Prohibiting Certain Additional Transactions with Respect to Venezuela”, by Donald Trump, Voltaire Network, 21 May 2018.
[5] O G7 é composto por : Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá.
[6] « Déclaration des dirigeants du G7 concernant le Venezuela », Réseau Voltaire, 23 mai 2018.
[7] “Comment by the Russian Foreign Ministry on developments in Venezuela” («Comentário do Ministro dos Negócios Estrangeiros Russo sobre o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela»- ndT), Voltaire Network, 16 May 2018.
Este artigo encontra-se sob licença creative commons
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