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Thursday, August 15, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Dois - Parte 3

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ou
  DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE


CAPÍTULO DOIS -- Parte 3

Geopolíticas  da Energia Russa

Em termos de padrão de vida, taxas de mortalidade e prosperidade económica, a Rússia, em 2004, não era uma potência de classe mundial. Em termos de energia, era um colosso. Em termos de massa terrestre, ainda era a maior nação do mundo, estendendo-se desde o Pacífico até à porta da Europa. Tinha um vasto território, recursos naturais enormes e as maiores reservas de gás natural do mundo. De mais a mais, era a única potência à face da Terra com capacidades militares latentes, para se igualar às dos Estados Unidos, apesar do colapso da URSS e da deterioração das forças armadas russas desde então.

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Uma observação do mapa esclarece por que é que o Pentágono tem interesse geopolítico em ter bases no Afeganistão, no Paquistão e no Iraque - o controlo militar dos fluxos de petróleo na Ásia Central

A Rússia tinha mais de 130.000 poços de petróleo e cerca de 2.000 depósitos de petróleo e gás. As reservas de petróleo foram estimadas em 150 biliões de barris, semelhantes ao Iraque. Poderiam ser muito maiores, mas ainda não haviam sido exploradas devido à dificuldade de perfurar as regiões remotas do Ártico. No entanto, com os preços do petróleo, em toda a parte, acima de 60 dólares o barril, tornaram economicamente viável explorar essas regiões remotas.

A rede estatal russa de gasoductos, o “sistema unificado de transporte de gás”, incluía uma vasta rede de oleoductos e estações de compressão que se estendiam por mais de 150.000 quilómetros em toda a Rússia. Por lei, somente a Gazprom, propriedade do Estado, podia usar o gasoducto. A rede talvez fosse o bem mais valorizado do Estado russo, além do próprio petróleo e do gás. Aqui estava o coração da nova geopolítica energética de Putin.

Já em 2001, quando se tornou evidente que as repúblicas bálticas estavam prestes a unir-se à NATO, Putin apoiou o desenvolvimento de um novo porto de petróleo importante, na costa russa do Mar Báltico, em Primorsk. Este Sistema de Oleoductos Bálticos (BPS), concluído em Março de 2006, diminuiu muito a dependência da exportação através dos novos Estados da NATO, como a Letónia, a Lituânia e a Polónia. O Báltico era a principal rota de exportação do petróleo da Rússia, das províncias petrolíferas da Sibéria Ocidental e Timan Pechora. Agora, o BPS era capaz de transportar mais de 1,3 milhões de barris/dia de petróleo russo para os mercados ocidentais.

Em Março de 2006, o antigo chanceler alemão, Gerhard Schroeder, foi nomeado presidente de um consórcio público-privado russo-alemão, a construir um gasoducto de 1.200 km sob o Báltico.

O accionista maioritário do North European Gas Pipeline (NEGP) era a estatal russa Gazprom, a maior companhia de gás natural do mundo. A alemã BASF e a E.On detinham 24,5%, cada uma. O projecto de € 5 biliões foi iniciado no final de 2005 e ligaria o terminal de gás, na cidade portuária russa de Vyborg, perto de São Petersburgo, com Greifswald, no leste da Alemanha. Era a clássica geopolítica russa - a tentativa da Heartland de se ligar à Europa Central. O objectivo de Churchill e, mais tarde, da Guerra Fria de Truman, foi o de conduzir uma cunha, uma "cortina de ferro" entre a Europa Central e o centro da Rússia. O seu objectivo era fazer da Grã-Bretanha o mediador geopolítico indispensável ou intermediário de poder entre as duas.

A ‘joint venture’ entre a Gazprom e a BASF foi o último grande acto de Schroeder, como chanceler alemão. O que provocou gritos de protesto do governo polaco, pró-Washington, bem como da Ucrânia, que perderiam o controlo sobre os fluxos dos gasoductos da Rússia. Apesar dos laços estreitos com o governo Bush, a nova chanceler conservadora da Alemanha, Angela Merkel, foi forçada a engolir e a aceitar o projecto. A Rússia era, de longe, o maior fornecedor de gás natural da Alemanha - mais de 40% das suas importações totais de gás.

O gigantesco depósito de gás Shtokman, no sector russo do Mar de Barents, ao norte do porto de Murmansk, também se tornaria parte do fornecimento de gás do NEGP. Quando concluída em dois gasoductos paralelos, a NEGP forneceria, anualmente, à Alemanha, mais de 55 biliões de metros cúbicos de gás russo.

Em Abril de 2006, o governo de Putin começou um oleoducto da Sibéria Oriental-Oceano Pacífico (ESPO), um oleoduto de 14 biliões de dólares, de Taishet no leste da Sibéria, para a costa do Pacífico da Rússia. A Transneft, empresa estatal russa de oleoductos, estava a construí-lo. Quando terminar, bombeará até 1,6 milhões de barris por dia, da Sibéria para o Extremo Oriente da Rússia e daí para a região Ásia-Pacífico, faminta de energia, principalmente para a China e para o Japão.

Além destas condutas, a China estava a discutir, intensamente, com Putin, um ramal entre Blagoveshchensk e Daqing. A rota Taishet fornecia um roteiro para a cooperação energética entre a Rússia e a China, o Japão e outros países da região Ásia-Pacífico.

Sakhalin: as Rédeas da Russia no Big Oil

Wednesday, August 14, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Dois - Parte 2

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  DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE

CAPÍTULO DOIS - Parte 1


CAPÍTULO DOIS -- Parte 2

Começa Uma Nova Guerra Fria Devido ao Petróleo

Após a ocupação fracassada do Iraque, em 2003, o “tabuleiro do xadrez” geopolítico de Brzezinski apresentou uma série de desafios para os EUA: a dúvida de lançar ou não, a guerra contra o Irão; a questão da Geórgia e do oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan; o dilema do aparecimento da China como uma superpotência económica global. Todos estes assuntos estavam ligados ao tema da geopolítica. O futuro dos Estados Unidos como superpotência única estava intimamente ligado à sua capacidade de controlar os fluxos globais de petróleo e de gás, que constituíam o sistema arterial da economia moderna. Essa foi a verdadeira razão para a invasão do Afeganistão, para a ocupação violenta do Iraque, para a guerra do Kosovo, em 1999, para a ameaça do uso da força militar contra o Irão e para os esforços de Washington em derrubar Hugo Chavez, na Venezuela.

A Rússia, após quase uma década de devastação económica e insolvência da dívida do Estado, em 1998, começou a erguer-se como uma economia funcional sob a presidência de Vladimir Putin. 

As exportações de petróleo e de gás da Rússia beneficiaram de um mercado mundial cujos preços da energia aumentaram significativamente após a invasão do Iraque, em 2003. O aumento das receitas permitiu à Rússia pagar os seus empréstimos ao FMI.

Ao começar, na primeira década do milénio, a nova Rússia estava a adquirir influência, não através das armas, mas por movimentos estratégicos, usando os seus activos geopolíticos de energia – o petróleo e o gás natural. Os dirigentes russos, durante a presidência de Putin, perceberam que, se não agissem de forma decisiva, a Rússia, em breve, seria cercada e confinada por um rival militar, os EUA.

Entretanto, a China, não poderia manifestar-se claramente com potência global verdadeiramente independente nas próximas décadas, a não ser que pudesse resolver duas vulnerabilidades estratégicas – a sua dependência crescente das importações de energia para o seu crescimento económico e a sua incapacidade de representar uma dissuasão nuclear a um ‘first strike’ nuclear dos EUA.

A Rússia era a única potência com um potencial estratégico considerável de dissuasão nuclear, bem como com reservas de energia suficientes, para ser um contrapeso credível à superioridade militar e política global dos EUA. Além do mais, uma combinação euro-asiática da China e da Rússia, juntamente com os Estados euroasiáticos aliados, representava um contrapeso ainda maior ao domínio unilateral dos EUA. Após a crise asiática de 1998, Pequim e Moscovo estabeleceram um acordo de segurança mútua com os Estados vizinhos, Cazaquistão e Tajiquistão. Em 2001, o Uzbequistão juntou-se e o grupo intitulou-se Organização de Cooperação de Xangai.

A Nova Geopolítica do Petróleo de Washington

Desde o momento em que a Administração Bush-Cheney tomou posse, em Janeiro de 2001, o controlo dos principais campos de petróleo e gás natural do mundo foi a prioridade principal, embora não declarada, da política externa dos EUA. A batalha foi pelas paradas mais altas. Na sua busca pelo domínio global, pela Nova Ordem Mundial, as elites do poder de Washington estavam determinadas a desmantelar a Rússia como potência em funcionamento. Tornou-se, cada vez mais claro que, não só a invasão do Iraque, como também a destruição dos Taliban no Afeganistão, não tinha nada a ver com a “democracia” e tudo a ver com o controlo dos oleoductos em toda a Ásia Central e com a militarização do Médio Oriente. (53)


Depois de 1999, os Estados Unidos, que já mantêm entre 600 e 800 bases militares em todo o mundo, construíram ainda mais bases que variam geograficamente de Camp Bondsteel no Kosovo, até  São Tomé e Príncipe, ao largo da costa da África Ocidental. Tentaram uma “mudança de regime” do presidente democraticamente eleito da Venezuela, rica em petróleo, enquanto se proclamavam, desavergonhadamente, os defensorores da democracia. E os EUA pressionaram imenso as nervosas Alemanha e  França, para que a pequena, mas estratégica, República da Geórgia, entrasse na NATO, a fim de assegurar o fluxo do petróleo de Baku, para o Mediterrâneo.

O próprio Presidente George W. Bush fez uma viagem a Tbilisi, em 10 de Maio de 2005, para se dirigir a uma multidão na Praça da Liberdade, a fim de promover a campanha de “guerra à tirania” de Washington, para essa região. Elogiou as “revoluções coloridas” em curso, apoiadas pelos EUA, da Ucrânia à Geórgia, atacando oportunisticamente a divisão da Europa, concretizada em Yalta por Roosevelt, em 1945. Nessa ocasião, Bush proferiu uma declaração curiosa:

“Não vamos repetir os erros de outras gerações, apaziguar ou desculpar a tirania e sacrificar a liberdade, na procura inútil, de estabilidade”, disse o Presidente. “Aprendemos a lição; não se pode dispensar a liberdade de ninguém. A longo prazo, a nossa segurança e estabilidade dependem da liberdade dos outros. . . Agora, através do Cáucaso, na Ásia Central e no Médio Oriente, vemos o mesmo desejo de liberdade a queimar os corações dos jovens. Eles estão a exigir a sua liberdade - e tê-la-ão. (54)

As observações de Bush foram calculadas para estimular a chama de novas desestabilizações de regime em toda a Eurásia, onde agora, a National Endowment for Democracy (NED) e as ONGs relacionadas com essa instituição, coordenavam, acusações de violações de “direitos humanos” em toda a região. (55)

A Estratégia da Energia de Cheney

Monday, August 12, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Dois - Parte 1

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  DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE

CAPÍTULO DOIS

Controlar as Revoluções Coloridas e os Golpes dos ‘Enxames’ na Rússia

A operação - engenharia da democracia através das urnas e da desobediência civil - está agora tão bem organizada, que os métodos se aperfeiçoaram num modelo para vencer as eleições dos outros povos.
- Ian Traynor, London Guardian, 26 de novembro de 2004
Washington Aperfeiçoa um Método para Encenar Golpes de Estado
No ano 2000, surgiu um fenómeno político, novo e estranho, em  Belgrado, a capital da Sérvia, da antiga Jugoslávia. Embora aparentemente surgisse do nada, sinalizou uma mudança no curso da guerra secreta dos EUA. À superfície, parecia ser um movimento político espontâneo e genuíno. Na realidade, era o produto de técnicas que vinham a ser estudadas e desenvolvidas nos Estados Unidos, há décadas. Os estrategas militares da RAND Corporation tinham analisado os padrões dos movimentos de protesto político bem-sucedidos, como as revoltas estudantis de 1968, em Paris. Eles identificaram as técnicas como sendo semelhantes a “enxames”, porque eram descentralizadas, mas interligadas, como um enxame de abelhas.(1)
Em Belgrado, os protagonistas fundamentais foram várias organizações: o National Endowment for Democracy (Fundo Nacional para a Democracia) e dois dos seus ramos, o Instituto Nacional Republicano, ligado ao Partido Republicano, e o Instituto Nacional Democrático, vinculado aos democratas. Embora afirmassem ser Organizações Não-Governamentais (ONGs) privadas, de facto, eram financiadas pelo Congresso dos EUA e pelo Departamento de Estado. Munidas com milhões de dólares dos contribuintes dos EUA, essas mesmas organizações foram instaladas para criar um movimento sintético para levar a cabo “mudanças não violentas”.(2)
O repórter do ‘The Washington Post’, Michael Dobbs, forneceu uma descrição em primeira mão do que aconteceu em Belgrado. O início está ligado a uma reunião secreta à porta fechada, em Outubro de 1999, há mais de um ano: 

(Belgrado) - Numa sala de conferências suavemente iluminada, o analista de votações americano, Doug Schoen, mostrou os resultados de uma pesquisa de opinião em profundidade, de 840 eleitores sérvios numa tela de projecção, esboçando uma estratégia para derrubar o último governante da era comunista, que restava na Europa.
A sua mensagem, confiada aos líderes da oposição tradicional da Sérvia, era simples e poderosa. Slobodan Milosevic - sobrevivente de quatro guerras perdidas, de duas grandes manifestações de rua, de 78 dias de bombardeio da NATO e de uma década de sanções internacionais - estava “completamente desprotegido” perante um desafio eleitoral bem organizado. A explicação, segundo mostraram os resultados da votação, foi a unidade da oposição.
Realizado num hotel de luxo em Budapeste, capital da Hungria, em Outubro de 1999, a informação, à porta fechada, dada por Schoen, um democrata, acabou por ser um evento produtivo, apontando o caminho para a revolução eleitoral que derrubou Milosevic um ano depois. Também marcou o início de um esforço extraordinário dos EUA para derrubar um chefe de Estado estrangeiro, não por meio de acções secretas do tipo que a CIA empregou em países como o Irão e a Guatemala, mas por técnicas modernas de campanha eleitoral.
Embora as linhas gerais da campanha de 41 milhões de dólares para a construção da democracia dos EUA, na Sérvia, sejam de conhecimento público, entrevistas com dezenas de protagonistas importantes, tanto na Sérvia como nos Estados Unidos, sugerem que ela foi muito mais extensa e sofisticada do que relatado anteriormente.
Considerada por muitos como a última grande revolução democrática na Europa Oriental, a destruição de Milosevic pode também entrar para a História como a primeira revolução norteada para efectuar uma revolução dirigida por grupos de pesquisadores de votação. Por trás da aparente espontaneidade das demonstrações de rua que forçou Milosevic a respeitar os resultados de uma eleição presidencial muito disputada, em 24 de Setembro, estava uma estratégia cuidadosamente incrementada pelos activistas da democracia sérvia, com a assistência activa de conselheiros e agentes ocidentais. (3)
Dobbs informou que o governo dos Estados Unidos “comprou” a deposição de Milosevic por 41 milhões de dólares. A operação foi executada fora do gabinete do Embaixador americano, Richard Miles, segundo o seu relato: “através de agentes especialmente treinados, que coordenaram as redes de estudantes ingénuos que estavam convencidos de que estavam a lutar por um mundo melhor, pela ‘American way of life.’

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At midday on Friday 5 February, 2016 Julian Assange, John Jones QC, Melinda Taylor, Jennifer Robinson and Baltasar Garzon will be speaking at a press conference at the Frontline Club on the decision made by the UN Working Group on Arbitrary Detention on the Assange case.

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