O documento divulgado esta semana pela Casa Branca, Peace to Prosperity, deve ser tomado pelo que é: uma proposta de trabalho sobre novas bases, não um plano de paz definitivo. Para Thierry Meyssan, em vez de protestar contra este projecto, é necessário examiná-lo. É uma oportunidade para desbloquear uma situação que apodrece há três quartos de século.
REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA)
Quando os fundamentos do Direito Internacional foram concebidos, em 1899, na conferência de Haia, tratava-se de impedir guerras entre Estados por meio de arbitragem. Quando o Império Britânico descolonizou a Palestina mandatária e que o conflito árabe-israelita se produziu de modo súbito e inesperado, o Direito Internacional não foi de nenhuma ajuda, porque não havia um Estado palestiniano, nem um Estado judeu. Assim, abordamos regras incoerentes que, por engano, consideramos imutáveis.
Os princípios que os Estados fundadores das Nações Unidas, incluindo a Síria, elaboraram durante o plano de partilha da Palestina foram rejeitados por ambas as partes. Quando os Yishuv proclamaram, unilateralmente, o Estado de Israel e imediatamente praticaram uma vasta limpeza étnica (a Nakba), a ONU reconheceu o novo Estado, mas enviou o Conde Folke Bernadotte para verificar a situação no local. Ele observou os crimes de Israel, preconizou limitar em dois terços, o território Yishuv, mas foi assassinado pelos Lehi, de Yitzhak Shamir, antes de poder apresentar o seu relatório em Nova York. Depois de mais de 700 resoluções da Assembleia Geral, bem como 100 resoluções do Conselho de Segurança, o conflito piorou sem soluções no horizonte.


