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Monday, August 26, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Quatro - Parte 4

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DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE

CAPÍTULO QUATRO - Parte 4

‘O Levantamento do Povo Tibetano’ Made In USA

O Students for Free Tibet (SFT) estava entre as cinco organizações que, em 4 de Janeiro de 2008, proclamaram o início de uma ‘revolta do povo tibetano’ e estabeleceram um gabinete temporário especial, encarregado de coordenar e financiar a revolta.

Harry Wu, um proeminente defensor do Dalai Lama na agitação contra Pequim, tornou-se famoso pelo seu papel num documentário polémico da BBC, no qual alegou que a China estava a traficar órgãos humanos, extraídos de prisioneiros executados da China. O documentário da BBC tornou-se motivo de controvérsia pelas suas inúmeras imprecisões.(46) No entanto, não contente com esse nível de distorção, Wu aumentou as suas acusações, em 1996, alegando falsamente que tinha “filmado um prisioneiro cujos rins foram removidos através de uma cirurgia enquanto ele estava vivo e, depois, o prisioneiro foi retirado e baleado. A fita foi transmitida pela BBC ”. (47)

O documentário da BBC não mostrou nada do que foi alegado por Wu, mas o dano estava feito. Quantas pessoas é que verificaram os arquivos antigos da BBC? Wu, um professor aposentado de Berkeley que deixou a China após a prisão como dissidente, era chefe da Laogai Research Foundation, uma organização isenta de impostos cujo fonte principal de financiamento também era a NED.(48)

Entre os projectos relacionados, a NED, financiada pelo governo dos EUA, também apoiou o jornal The Tibet Times, dirigido pela base do Dalai Lama no exílio, em Dharamsala, na Índia. A NED também financiou o Tibet Multimedia Center para aquilo que eles descreveram como “disseminação de informação que aborda a luta pelos direitos humanos e democracia no Tibet”. Também estavam sediados em Dharamsala. A NED também financiou o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia. (49)

Resumindo, as impressões digitais do Departamento de Estado e da comunidade dos serviços secretos dos EUA estiveram em todos os tumultos do movimento ‘Free Tibet’ e dos ataques aos chineses de etnia Han, de Março de 2008. A pergunta a ser feita era por quê e, especialmente, por quê naquele momento?

 O Tesouro de Minerais do Tibete

O Tibete era de importância estratégica para a China, não apenas pela sua localização geográfica na fronteira com a Índia - o mais novo aliado anti-China de Washington, na Ásia - mas também porque o Tibete era um tesouro de minerais e petróleo. O Tibete continha alguns dos maiores depósitos de urânio e bórax do mundo, metade do lítio do mundo, os maiores depósitos de cobre da Ásia, enormes depósitos de ferro e mais de 80.000 minas de ouro. As florestas do Tibete continham a maior reserva de madeira à disposição da China. A partir de 1980, cerca de 54 biliões de árvores foram derrubadas lá. O Tibete também possuía algumas das maiores reservas de petróleo da região.(50)

Ao longo da fronteira entre a Região Autónoma do Tibete e a Região Autónoma Uigur de Xinjiang, também havia uma vasta região petrolífera e mineral na Bacia Qaidam, conhecida como a 'bacia do tesouro'. A Bacia contava com 57 tipos diferentes de recursos minerais com reservas comprovadas, incluindo petróleo, gás, carvão, sal bruto, potássio, magnésio, chumbo, zinco e ouro. Esses recursos minerais tinham um valor económico potencial estimado em 15 triliões de yuans ou seja, 1,8 triliões de dólares. As reservas comprovadas de potássio, lítio e sal bruto dessa bacia eram as maiores da China.

Estrategicamente, o Tibete talvez fosse a fonte de água mais valiosa do mundo. Situado como estava, no ‘tecto do mundo’, o Tibete era a fonte de sete dos maiores rios da Ásia, que forneciam água a 2 biliões de pessoas. Como Henry Kissinger poderia muito bem ter dito, ’Aquele que controlar a água do Tibete tem uma poderosa alavanca geopolítica sobre toda a Ásia’, especialmente sobre a China.

Mas o principal interesse de Washington no Tibete, na Primavera de 2008, parecia ser o seu potencial para agir como alavanca para desestabilizar e chantagear o governo de Pequim.

‘A não-violência como forma de guerra’

Tuesday, August 20, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Quatro - Parte 3

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DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE


Tibete: É Libertado um Velho Activo da CIA  

No início de 2008, o ‘establishment dos EUA’ determinou que era o momento de uma grande escalada de pressão sobre a China, desencadeando, desta vez,  desestabilização dentro do território chinês, na Província Autónoma do Tibet.

Foi um momento extremamente sensível nas relações EUA-China. Os mercados financeiros dos Estados Unidos estavam extremamente dependentes do investimento dos dólares excedentes da China na dívida do governo dos EUA, nos títulos do Tesouro, e também nos títulos imobiliários Freddie Mac e Fannie Mae. A agitação do Tibete foi marcada para o período que antecedia as Olimpíadas de Pequim. Ao abanar as chamas da violência no Tibete, sob essas condições voláteis, indicava que Washington havia decidido fazer um jogo geopolítico de alto risco com Pequim.

A intromissão dos EUA no Tibete foi iniciada pelo governo Bush nos meses anteriores, coincidindo com a sua interferência no Sudão e em Mianmar, e incluía a ‘entente’ militar especial com a Índia, dirigida contra a China. No final de 2004, o Secretário de Defesa dos EUA, Rumsfeld, propôs à Índia um novo nível de cooperação militar e estratégica, ao actualizar a “Minuta Acordada sobre as Relações de Defesa de 1995”. Mais tarde, fontes militares e diplomáticas dos EUA admitiram que o seu objectivo estratégico era o papel económico crescente da China, na Ásia.(32)

A operação do Tibete ganhou luz verde em Outubro de 2007, quando George Bush concordou em encontrar-se com o Dalai Lama, pela primeira vez publicamente, em Washington. O Presidente dos Estados Unidos estava bem ciente da enormidade de tal insulto à China, o seu maior parceiro comercial. Bush então aprofundou a afronta a Pequim, ao participar na cerimónia de Washington, concedendo ao Dalai Lama a Medalha de Ouro do Congresso.

A decisão de Bush, filho de um antigo Embaixador dos EUA em Pequim, foi deliberada. Ele estava bem ciente de que a presença do Presidente dos Estados Unidos numa cerimónia oficial do governo dos EUA, em homenagem ao Dalai Lama, seria percebida como um sinal do apoio crescente dos EUA ao movimento de independência do Tibete.

Imediatamente após os monges tibetanos se revoltarem, em Março de 2008, o entusiasmo do apoio pró-Tibete de George Bush, Condoleezza Rice, do francês Nicolas Sarkozy e da alemã Angela Merkel, atingiu o absurdo. Embora a Chanceler Merkel tenha anunciado que não compareceria às Olimpíadas de Pequim, ela pronunciou declarações contraditórias sobre se esse facto seria para protestar contra o tratamento que Pequim fazia aos monges tibetanos, ou se seria devido a compromissos anteriores. Não importava; a publicidade em torno do “debate” bastava para dar a impressão de um protesto internacional. Na verdade, Angela Merkel planeou primeiro, não comparecer às Olimpíadas.

O anúncio de Merkel foi seguido de outro, do Primeiro Ministro da Polónia, o pró-Washington Donald Tusk, dizendo que ele também permaneceria afastado, juntamente com o Presidente Checo pró-EUA, Vaclav Klaus. Não estava claro se eles também não tinham planeado ir, em primeiro lugar, mas os seus anúncios criaram cabeçalhos mediáticos melodramáticos.

A onda de protestos violentos e ataques de monges tibetanos contra moradores chineses de etnia Han no Tibete, começou em 10 de Março, quando várias centenas de monges marcharam em Lhasa, pedindo a libertação de outros monges supostamente detidos por celebrar o recebimento da Medalha do Congresso dos EUA, pelo Dalai Lama, no mês de Outubro anterior. O primeiro grupo de monges foi acompanhado por outros monges que protestavam contra o governo de Pequim e comemoravam o 49º aniversário de uma revolta tibetana anterior, contra o domínio chinês.

O Jogo Geopolítico do Tibete

Sunday, August 18, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Quatro - Parte 2

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DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE

CAPÍTULO QUATRO - Parte 1

CAPÍTULO QUATRO - Parte 2

Sudão: O Significado de Darfur


Uma coisa curiosa, foi o momento certo da campanha de direitos humanos,  na província de Darfur, no sul do Sudão, perto da fronteira com o Chade, que o Secretário de Estado, Colin Powell, denominou como  ‘genocídio’. A enorme campanha de ‘direitos humanos,’ apoiada por Hollywood começou logo depois do governo sudanês, em Cartum, anunciar que tinham descobertas enormes reservas de petróleo em potencial naquela região. As companhias petrolíferas chinesas estavam envolvidas na descoberta.

Antes dessa descoberta do petróleo, os Estados Unidos estavam a armar e a treinar rebeldes contra Cartum, no sul do Sudão, incluindo o falecido John Garang, treinado na conhecida Escola das Américas, em Fort Benning, na Geórgia.(16) Foi nessa região onde, em 1999, a companhia petrolífera estatal chinesa começou a construir uma grande conduta para levar o petróleo para um novo porto, em Port Sudan. De Port Sudan era embarcado para alimentar o crescimento económico da China.

Nem a descoberta de enormes reservas de petróleo em Darfur, nem o facto de que Cartum havia concedido  amplos direitos de exploração à companhia estatal de petróleo da China, foram mencionados em declarações do governo dos EUA ou na comunicação mediática americana. Nem Washington mencionou que, secretamente, tinha fornecido armas a Idriss Deby, o ditador do vizinho Chade, e  que encorajava Deby a lançar ataques militares, em Darfur.

Depois Washington responsabilizou Deby pelos ataque em Cartum, declarando que faziam parte de um ‘genocídio’ sistemático do Sudão contra os povos cristãos de Darfur. Como será demonstrado, a alegação de genocídio foi uma grande charada orquestrada, outro exercício de uma nova ofensiva americana de ‘direitos humanos’, tão brutal, violenta e impulsionada pelo petróleo, como a Operação Choque e Terror, no Iraque. (17)

A concentração da atenção dos EUA em Darfur, uma parte proibida ressequida pelo sol, no sul do Sudão, exemplifica a nova Guerra Fria do Pentágono, pela qual a China, devido à extrema necessidade de petróleo para alimentar o seu crescimento, levou Pequim a embarcar numa política agressiva - ironicamente – da diplomacia do dólar.

Com mais de 1,8 trilião de dólares, principalmente em reservas de dólares dos EUA no Banco Nacional Popular da China, a partir de excedentes comerciais de exportação, Pequim estava activamente empenhada na geopolítica do petróleo. A África foi um dos principais alvos da sua procura de petróleo. Em África, a região central entre o Sudão e o Chade era uma prioridade para os EUA, porque era uma região de vastos reservatórios inexplorados de petróleo.

Em 2007, a China estava a extrair de África, cerca de 30% da suas importações de petróleo bruto - era claramente o motivo para a extraordinária série de iniciativas diplomáticas da China, que deixaram Washington furioso.

A Diplomacia Económica Eficiente de Pequim

Saturday, August 17, 2019

PT -- FULL SPECTRUM DOMINANCE - Capítulo Quatro - Parte 1

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DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE




CAPÍTULO QUATRO

Usando os Direitos Humanos como Armamento: De Darfur para Mianmar e para o Tibete

“Muito do que fazemos hoje foi feito secretamente há 25 anos, pela CIA.” 

- Allen Weinstein, que ajudou a criar o National Endowment for Democracy (NED) .(1)

Mianmar: A Revolução Açafrão

Na época da decisão dos EUA, de forçar a mudança de regime no Iraque - uma decisão realmente tomada antes dos ataques de 11 de Setembro de 2001 - a política dos EUA já estava a começar a mudar para a China. No entanto, como observado anteriormente, ao contrário da política dos EUA em relação a uma Rússia economicamente enfraquecida, mas ainda militarmente formidável, a política dos EUA em relação à China procurava seguir o que algumas pessoas designavam como “poder brando”. As principais armas da pressão dos EUA sobre a China seriam afirmações sobre 'democracia' e 'direitos humanos'. Parecia paradoxal. Mas não era.

Uma aplicação importante da nova ofensiva de direitos humanos contra a China, em Washington, concentrou-se em Mianmar, no Tibete e em Darfur e, no sul do Sudão, rico em petróleo.

Uma grande campanha de desestabilização de “direitos humanos” mobilizada pelos EUA, para tentar apertar o cerco ao redor da China começou em Setembro/Outubro de 2007, visando Mianmar, antiga colónia britânica, a Birmânia. (O governo dos EUA ainda prefere designá-la como Birmânia, apesar da rejeição oficial desse nome pelo governo de Mianmar.) Nessa época, a CNN publicou imagens de monges budistas vestidos de túnicas de cor açafrão correndo pelas ruas da antiga capital de Mianmar, Rangoon (Yangon ) e clamando por mais democracia. Nos bastidores, no entanto, foi uma batalha de uma consequência geopolítica enorme.

A tragédia de Mianmar/Birmânia, cuja área do território era do tamanho do rancho de George W. Bush, no Texas, foi que a sua população estava a ser usada como cenário humano, num drama que havia sido idealizado em Washington. O espectáculo que se desenrolava na CNN, fora escrito e produzido pelos esforços combinados da National Endowment for Democracy (NED), da Open Society Institute de George Soros, da Freedom House e da Albert Einstein Institution de Gene Sharp. Essas ONGs funcionavam como activos militares e estavam ligadas aos serviços secretos dos EUA. Foram usadas para treinar circunstâncias de mudanças de regime “não violentas” em todo o mundo, em nome da agenda estratégica dos EUA. Eram as mesmas ONGs e organizações que tinham sido usadas nas Revoluções Coloridas à volta da Rússia - na Geórgia, na Ucrânia e na Sérvia.

A “Revolução Açafrão” da Birmânia, tal como a “Revolução Laranja” da Ucrânia ou a “Revolução Rosa” da Geórgia, foi um exercício bem orquestrado na mudança de regime conduzida por Washington. Reproduzia os métodos e truques das Revoluções Coloridas anteriores: usando os protestos de “bater e fugir” por “enxames” de grupos de budistas usando mantos de açafrão; criação de blogs na internet e links para mensagens de texto móveis entre grupos de protesto; instalação de células de protesto bem organizadas, que se dispersavam e se reorganizavam sob comando.

A CNN errou num dado momento, durante uma transmissão, em Setembro de 2007, mencionando a presença activa da NED a apoiar os protestos em Mianmar.(2) Na verdade, o Departamento de Estado dos EUA admitiu apoiar as actividades da NED em Mianmar. A NED era uma entidade “privada,” financiada pelo governo dos EUA, como observado anteriormente, cujas actividades foram projectadas para apoiar os objectivos da política externa dos EUA. A ideia era realizar o que a CIA havia feito durante a Guerra Fria, mas sob a capa de uma ONG aparentemente inocente.

Em 30 de Outubro de 2003, o Departamento de Estado emitiu um comunicado de imprensa formal afirmando:

A restauração da democracia na Birmânia é uma prioridade da política dos EUA no Sudeste Asiático. Para alcançar esse objectivo, os Estados Unidos têm apoiado, regularmente, activistas da democracia e os seus esforços dentro e fora da Birmânia ... Os Estados Unidos também apoiam organizações como o Fundo Nacional para a Democracia, o Instituto Open Society e Internews, a trabalhar dentro e fora da região, numa ampla série de actividades de promoção da democracia.(3)

Um objectivo prioritário da política dos EUA no sudeste da Ásia? Tudo soava mui nobre e discreto da parte do Departamento do Estado. No entanto, as suas “actividades de promoção da democracia”, tinham uma agenda oculta sinistra. Eram destinadas, directamente, à estabilidade regional de Pequim, incluindo a estabilidade energética.

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At midday on Friday 5 February, 2016 Julian Assange, John Jones QC, Melinda Taylor, Jennifer Robinson and Baltasar Garzon will be speaking at a press conference at the Frontline Club on the decision made by the UN Working Group on Arbitrary Detention on the Assange case.

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