
ou
DOMÍNIO DA UNIVERSALIDADE
CAPÍTULO QUATRO - Parte 4
‘O Levantamento do Povo Tibetano’ Made In USA
‘O Levantamento do Povo Tibetano’ Made In USA
O Students for Free Tibet
(SFT) estava
entre as cinco organizações que, em 4 de Janeiro de 2008, proclamaram o início
de uma ‘revolta do povo tibetano’ e estabeleceram um gabinete temporário
especial, encarregado de coordenar e financiar a revolta.
Harry Wu, um proeminente
defensor do Dalai Lama na agitação contra Pequim, tornou-se famoso pelo seu
papel num documentário polémico da BBC, no qual alegou que a China estava a
traficar órgãos humanos, extraídos de prisioneiros executados da China. O
documentário da BBC tornou-se motivo de controvérsia pelas suas inúmeras
imprecisões.(46) No entanto, não contente com esse nível de distorção, Wu
aumentou as suas acusações, em 1996, alegando falsamente que tinha “filmado um
prisioneiro cujos rins foram removidos através de uma cirurgia enquanto ele estava vivo
e, depois, o prisioneiro foi retirado e baleado. A fita foi transmitida pela
BBC ”. (47)
O documentário da BBC não
mostrou nada do que foi alegado por Wu, mas o dano estava feito. Quantas
pessoas é que verificaram os arquivos antigos da BBC? Wu, um professor
aposentado de Berkeley que deixou a China após a prisão como dissidente, era
chefe da Laogai Research Foundation, uma organização isenta de impostos cujo fonte
principal de financiamento também era a NED.(48)
Entre os projectos
relacionados, a NED, financiada pelo governo dos EUA, também apoiou o jornal The Tibet Times, dirigido pela base do
Dalai Lama no exílio, em Dharamsala, na Índia. A NED também financiou o Tibet Multimedia Center para aquilo que
eles descreveram como “disseminação de informação que aborda a luta pelos
direitos humanos e democracia no Tibet”. Também estavam sediados em Dharamsala.
A NED também financiou o Centro Tibetano de Direitos Humanos e Democracia. (49)
Resumindo, as impressões
digitais do Departamento de Estado e da comunidade dos serviços secretos dos
EUA estiveram em todos os tumultos do movimento ‘Free Tibet’ e dos ataques aos
chineses de etnia Han, de Março de 2008. A pergunta a ser feita era por quê e,
especialmente, por quê naquele momento?
O Tesouro de Minerais do Tibete
O Tibete era de importância
estratégica para a China, não apenas pela sua localização geográfica na
fronteira com a Índia - o mais novo aliado anti-China de Washington, na Ásia -
mas também porque o Tibete era um tesouro de minerais e petróleo. O Tibete
continha alguns dos maiores depósitos de urânio e bórax do mundo, metade do lítio
do mundo, os maiores depósitos de cobre da Ásia, enormes depósitos de ferro e
mais de 80.000 minas de ouro. As florestas do Tibete continham a maior reserva
de madeira à disposição da China. A partir de 1980, cerca de 54 biliões de
árvores foram derrubadas lá. O Tibete também possuía algumas das maiores
reservas de petróleo da região.(50)
Ao longo da fronteira entre a
Região Autónoma do Tibete e a Região Autónoma Uigur de Xinjiang, também havia
uma vasta região petrolífera e mineral na Bacia Qaidam, conhecida como a 'bacia
do tesouro'. A Bacia contava com 57 tipos diferentes de recursos minerais com
reservas comprovadas, incluindo petróleo, gás, carvão, sal bruto, potássio,
magnésio, chumbo, zinco e ouro. Esses recursos minerais tinham um valor
económico potencial estimado em 15 triliões de yuans ou seja, 1,8 triliões de dólares.
As reservas comprovadas de potássio, lítio e sal bruto dessa bacia eram as
maiores da China.
Estrategicamente, o Tibete
talvez fosse a fonte de água mais valiosa do mundo. Situado como estava, no ‘tecto
do mundo’, o Tibete era a fonte de sete dos maiores rios da Ásia, que forneciam
água a 2 biliões de pessoas. Como Henry Kissinger poderia muito bem ter dito, ’Aquele que controlar a água do Tibete tem uma poderosa alavanca
geopolítica sobre toda a Ásia’, especialmente sobre a China.
Mas o principal interesse de
Washington no Tibete, na Primavera de 2008, parecia ser o seu potencial para
agir como alavanca para desestabilizar e chantagear o governo de Pequim.
‘A
não-violência como forma de guerra’

